quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo





Para que o espirito de Natal esteja sempre presentes em todos nós desejo-vos um FELIZ ANO NOVO. Sonhem muito, fantasiem e acima de tudo ACREDITEM num futuro melhor para os nossos meninos e meninas.
Fiquem bem

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Quadro das Texturas



O Quadro das Texturas tem como princiapl objectivo possibilitar um leque de experiências a nível sensorial às crianças. A ideia deste quadro surgiu da revista dos Eudadores de Infância e dos livros de texturas que temos na salinha.
Como todas as crianças querem mexer nos livros ao mesmo tempo, por vezes, zangam-se e há uma "disputa" pelos livros. Desta forma o quadro possibilita que algumas crianças possam disfrutar das suas descobertas ao mesmo tempo.
Os pais ajudaram a concretizar este objectivo trazendo para a salinha alguns materiais com diferentes texturas: lixa, esponja, peluches, escovas, bonecos com som, etc. Algumas imagens com texturas foram também utilizadas e recicladas de livros já velhinhos e assim, o nosso quadro ficou mais apelativo.  Neste quadro há também jogos de identificação e associação que foram criados a partir de almofadas das cadeiras. Há o jogo de encaixe das formas (não que eles tenham de saber as formas !!!), do rosto (olhos, boca, nariz) e das fotografias de todos os nossos bebés.

Os nossos meninos e meninas passam algum tempo agarrados à rede (re)descobrindo sensações e nós complementamos essas experiências questionando-as, explicando o seu significado, dizendo o nome dos objectos e desta forma vão crescendo dia a dia.


Trabalhinhos de Natal



Este Natal é especial para todos os bebés, mães e pais, mas especialmente para aqueles que vão passar o seu primeiro Natal junto da sua família. Os trabalhinhos realizados com os nossos bebés são pequenos miminhos que foram realizados pelas mãozitas e deditos destes duendes bebés.
Levaram para casa um frasquinho pintado pelos seus deditos ... ufff tanto trabalho :) e no postal decalcaram as suas mãozitas ... ai ai tanta tinta nos bibes!! Alguns bebés sentiam o pincel passar pela mão e agarravam o pincel com muita força... não queriam abrir a mão ... mas ficaram muito lindos!

O decalque com rolhas é uma actividade que as crianças gostam de fazer, pois ao mesmo tempo que imprimem fazemos um som "toin, toin, toin" e assim é mais divertido. A magia das cores no papel surpreende sempre os pequenotes.

Colar as bolinhas também é divertido mesmo quando não existe cola no espaço :)

Os pais também participaram nas actividades de Natal e escreveram numa botinha os seus"Desejos de Natal" para os seus filhos e não só. De todas as mensagens, há desejos em comum -  que os seus filhos sejam mimados, amados e educados da melhor forma possível.
A todos os pais um muito obrigada. Boas Festas a todos!
Um  xi
a todos os nossos bebés

Um Peixe

Canção - Um Peixe no mar...


Os nossos meninas e meninas gostam muito de ouvir a canção "Um peixe no mar eu vi eu vi..." que acompanham com gestos muito simples.

"Um peixe no mar
Eu vi, eu vi
Um peixe a nadar
Aqui, ali
Para o apanhar
Caí caí
Fiquei constipado atchim atchim

Molhei o cabelo
Aqui ali
Molhei os calções
Aqui ali
Por causa do peixe
Que eu vi que eu vi
Fiquei constipado
Atchim atchim

Os pais podem cantar esta canção aos filhotes, vão ver que se lembram da música da Cândida Branca Flor. Os filhotes vão ensiná-los a fazer os gestos :). Tentem!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A nossa Árvore de Natal



O Natal é uma criança
que vai chegando de mansinho
com pezinhos de algodão.
Nos olhos traz a luz,
no colinho estrelinhas a brilhar,
pró papá e prá mamã
um beijinho eu vou dar!





O Natal está a chegar e os meninos e meninas da Creche ajudaram a criar árvores peculiares, originais e engraçadas a partir de materiais de desperdício.
Os nossos duendes bebés puseram mãos à obra: pegaram no rolo e tinta verde e pintaram uma placa de esferovite... mas não só.... pintaram mãos, cabelo, cara, mesa, cadeira e chão ... tudo em prol de uma pinutra abstrata :) As duendes mais velhinhas, a Carmo, a Fernanda, a Rosa e a Sandra, criaram os anjinhos com garrafas de iogurtes e fotografias dos nossos anjinhos "papudos".
Foi divertido olhar aqueles olhinhos de espanto e um sorriso aberto nos lábios sempre que o rolo de tinta desenhava a cor no esferovite. Os bracitos acima e abaixo foi um exercicio engraçado e eles gostaram!!!

As outras salas da Creche também criaram uma árvore de Natal a partir de material de desperdício e num passo de magia surgiram a árvore das botinhas, a árvore das caixinhas e a árvore dos garrafões.

A magia do Natal está a chegar e os nossos bebés vivem este momento de braços abertos, sem se aperceberem do sentido ou significado desta festa. O essencial é que nós, adultos, possamos viajar no mundo da fantasia, abrir o saco do Pai Natal e trazer nas mãos pozinhos mágicos carregados de desejos, felicidade, brincadeiras, sorrisos, abraços e miminhos, presentes e sobretudo muito amor e carinho. Desta forma, ao partilharmos cada momento festivo com os nossos bebés, conseguiremos ver com olhos de criança a magia do verdadeiro Natal.

Um grande e Feliz Natal para os nossos meninos e meninas, para os papás e mamãs que nos confiaram o seu maior tesouro :)


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Novidades da Nossa Salinha da Creche


O berçario está a ficar aconchegado com a chegada de novos bebés.
O André chegou e os seus olhos grandes quiseram captar toda a magia do novo espaço... Já come a sopa com carne :)

O Manuel já cá estava e foi crescendo pouco a pouco, explorando o espaço e os brinquedos à sua volta.O seu sorriso fantástico cativou-nos! Já gatinha por toda a sala e já come o pãozinho :)

O Nuno chegou há pouco tempo. Bebe o leitinho no biberon e faz grandes sonecas. É bem disposto e observador :)


O Francisco chegou agora mesmo ao aconchego da nossa salinha. Chora um bocadinho mas quando sorri fá-lo com verdadeiro prazer:)






 


1 ANINHO
Parabéns Eduardo !!!! Que tenhas sempre muitos amigos e sejas feliz ao longo do teu crescimento:) beijinho




segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Magusto e o 35º Aniversário da Escolinha




Os nossos pequeninos ainda não têm noção do que é o magusto. A descoberta da castanha foi estranha :) pegaram na castanha e meteram-na na boca e ... era dura. Não conseguiam trincá-la. Olharam-na como se procurassem um sitio para a abrir. Depois estendiam a sua mãozita e davam-nos a castanha como se dissessem "ajuda-me ... abre".
Assim que viram uma castanha maior feita de papel a reação foi difrente. Interessaram-se logo pelas bolinhas de papel colorido e quiseram colar na castanha...mesmo sem cola!!!! Com ajuda colaram as bolinhas coloridas e ficaram muito giras as nossas castanhas.

Lá fora, os mais crescidos comemoraram o Magusto fazendo uma fogueira e assando as castanhas.

No dia 11 de Novembro a nossa Instituição comemorou o seu 35º aniversário. Para comemorar este dia cantámos os parabéns com um bolinho. Todas as salas da Instituição enfeitaram um bolo e cantaram os parabéns.

No dia 13 de Novembro comemorámos na nossa escolinha o Magusto e o aniversário da nossa Instituição fazendo um convívio, aberto aos pais e a toda a comunidade.
Da ementa não faltaram o caldo verde, os rojões e as sobremesas deliciosas. Os belharacos, as castanhas assadas e a jerupiga também lá estiveram e adoçaram a boca a todos os que lá estavam. O doce de abóbora e os biscoitos de canela foram umas lembrancinhas bem docinhas que acompanharam a volta a casa.
Mas a festa não ficou por aí!!!! O Rancho Folclórico de Esgueira esteve presente neste convívio e alegrou a festa com as suas danças e cantares caracteristicos. E não faltaram as nosssas rifinhas!! O primeiro prémio - um conjunto de pratos; o segundo prémio - uma camisola; e o terceiro prémio - uma abóbora. Foi muito divertido!!!
Para completar a nossa festa cantámos os parabéns à escolinha e partimos o bolo. Foi um momento doce partilhado por todos.
Foi um grande aniversário para a nossa escolinha. Que sejas sempre um lugar de afecto e de aprendizagens. Um abrigo seguro para os nossos pequenotes que aqui vão crescendo!

Agradeço  a todos os pais que puderam estar presentes neste evento "Institucional".
Até ao próximo.

Vamos descobrir o CORPO HUMANO



As partes do Corpo Humano

Conhecer-se não implica apenas conhecer o seu nome. Conhecer-se é também aperceber-se que temos um corpo e que esse corpo tem cabeça, braços, mãos, barriga, pernas,pés... Brincar com o corpo através da motricidade, das histórias ou das canções transporta-nos para o jogo de associação que fizemos no placard da nossa salinha.
Nesse placard há um menino e uma menina que precisam de roupa. As peças de roupa foram pensadas para que as crianças as pudessem colocar de forma a associar às partes do corpo  e assim descobrir, de forma muito simples, onde se situam as mãos, a barriga, a cabeça etc.

Os nossos meninos e meninas gostam deste novo jogo e o conceito/regra de saber esperar pela sua vez para jogar está a começar a ser assimilada por estes pequenotes prontos a crescer :)

sábado, 30 de outubro de 2010

O Dia Mundial da Alimentação foi assim...




Para comemorar o Dia Mundial da Alimentação saboreámos algumas frutas que já conhecemos como a laranja, a banana, a maçã, a pêra, as uvas. Ficámos a conhecer o kiwi. 

Fizemos caretas à laranja e ao kiwi, eram amargos!!! As restantes frutas eram docinhas e deliciosas. A fruta que mais gostaram de comer foram as uvas... e nós pensávamos que não iam gostar muito devido às sementes, no entanto, bago a bago foram saboreando aquele docinho.

Depois de conhecermos as frutas pelo seu nome, de sentir a sua textura e de as comermos fizemos um joguinho muito simples. Cada uma das crianças colocava uma fruta dentro de um cesto de acordo com o seu nome. Algumas imagens dos frutos também foram utilizadas num jogo de placard. Cada criança colava no placard um desenho da fruta pedida e como sempre todos queriam participar ao mesmo tempo :)
O objectivo do jogo era observar se as crianças assimilaram o nome de cada fruta e no geral, as crianças da Aquisição de Marcha compreenderam o jogo.

Estas actividades permitiram às crianças lançarem as suas mãozitas nas cores de filtro e pintarem alguns desenhos dos frutos apresentados. Ficam radiantes por verem as suas obras expostas e sabem onde elas estão. Quando estão ao colo, os seus olhitos percorrem a sala à procura do seu desenho e sorriem ou apontam quando o encontram.

A nível institucional, celebrámos este dia com a "Feira dos Sabores". O objectivo foi proporcionar aos pais um saquinho com alguns legumes e frutos que levaram para casa.
Na Creche além desta actividade, os nossos bebés levaram um miminho especial: um guardanapo moranguito e uma argola para o colocar. Assim, sempre que forem para a mesa comer a papa, podem utilizar um guardanapo.

Chamar as "coisas" pelo nome é muito importante, mesmo que pensemos que eles não percebem porque são pequeninos. Dizer "dá a maçã vermelha" ou "joga a bola azul"  parece insignificante mas não é! Aproveitemos todos os momentos e transformemos em aprendizagens as pequenas grandes acções. Estes conceitos vão-se repetir diáriamente e mesmo não sabendo falar, as crianças assimilam o seu significado e quando começarem a falar irão verbalizar esses mesmos conceitos.

Através das experiências, descobertas e curiosidades que são  apresentadas dia a dia nos diferentes momentos e oportunidades, os nossos meninos vão crescendo e cultivam o seu jardim de sonhos e aprendizagens significativas.

Dia da Alimentação - Come a sopa, vá lá -



Porque é que é tão difícil comer a sopa?????

A sopa acompanha a vida do bebé desde os primeiros meses até à sua fase adulta.

È um alimento rico em todos os aspectos e pode ser confecionada de maneiras diferentes. Rica em legumes, carne ou peixe, a sopa é um alimento que "aconchega" a barriguita dos nossos bebés.

A primeira sopa marca um salto no crescimento do bebé. Estranham no principio o seu sabor ... diferente e menos doce do que o leite materno ou outro. Com a introdução dos vários legumes, peixe ou carne os bebés começam a saborear a sopa e a detectar o seu sabor peculiar. Já começam a distinguir os sabores e, por si só, também querem decidir se hão-de comer ou não. Empurram o prato para o meio da mesa como meio de negação. Ou então nem nos deixam ajudar. Põem a cabecita para trás e fecham a boca como a reivindicar o seu direito de escolha :) sim já percebemos!!! Porque é que é tão difícil comer a sopa?

Mas nem sempre é assim. As colheres de sopa são seguidinhas e levadas à boca pelas suas mãozitas, mais pequenas que a colher. Há sopa por todo o lado...mas é divertido vê-los comer com gosto.

Assim como os brinquedos e brincadeiras, a higiene, as actividades e jogos, a afectividade, a segurança e tudo o mais, a alimentação, nomeadamente, a sopa é um "suplemento" na educação do bebé.

Por isso cantamos ao almoço a canção do avô Cantigas "come a sopa"e os nossos bebés gostam muito!!!! Mostrem - lhes o video e aproveitem para aprenderem esta canção divertida e educativa.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Bebês - De Umbigo à Umbiguinho (Toquinho)



Um miminho para os meus meninos e meninas da creche ...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Dia Mundial dos Animais foi assim...

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"Nascemos capazes de aprender não sabendo nada ..." Rosseau

Partindo deste pressuposto e acreditando que as crianças são capazes de construir o seu conhecimento através da sua acção sobre o que a rodeia, realizámos esta actividades plástica muito simples.
Pedimos aos pais para trazerem imagens de animais que fossem do conhecimento das crianças (animais da Quinta) para que pudessem ser coladas. As crianças da aquisição de marcha, carimbaram com uma rolha e esponja uma folha A3 com tinta e depois fomos colando os animais.
Além do prazer e do divertimento, o objectivo era fazer com que as crianças identificassem os animais "onde está a vaca? muuuuuuuuu é a vaca"; "onde está o gato? miau miau" e as crianças apontavam para a imagem. Claro que nem todas as crianças acertavam :) mas é importante que se ofereça oportunidades de aprendizagem para que as crianças se familiarizem com os nomes, sons, imagens, texturas, cores etc.
Para complementar esta actividade contámos histórias de animais com canções divertidas. Criámos um jogo de associação de imagens com animais da Quinta no placard onde todos gostam de jogar e já começam a entender que têm de esperar pela sua vez...o que às vezes é dificil!!!!
O prazer da criança em observar, examinar e explorar tudo quanto a rodeia é a base para que conheça de forma directa tudo o que está a acontecer no seu Meio. Se o Meio é variado, estimulante e incorpora novidades e experiências, desenvolve-se o interesse da criança para conhecer novos elementos, aumentar a sua curiosidade e vocabulário.
Os nossos meninos gostam de participar nas actividades diárias. Embora as suas necessidades básicas sejam a nossa maior preocupação, todas as actividades são importantes para o pleno desenvolvimento das crianças.  Quando digo "vamos fazer um joguinho" as crianças aproximam-se da mesa e começam a querer sentar-se. Ocupar um lugar na mesa é importante porque já sabem que cada um tem um jogo, uma tarefa ou actividade em grupo a realizar. Claro que há muitas peças no chão ou na boca, peças soltas do outro lado da mesa...enfim uma confusão. Mas isso também promove aprendizagens básicas. Nós como educadores também aproveitamos esses momentos para criar regras. "Não jogues as pecinhas..." " vá vai lá apanhar as peças e põe na mesa" "M.... ajuda o B...a fazer o joguinho" "senta direitinho na cadeira" "dá aquela peça se faz favor" etc etc. Todos os momentos são de aprendizagem! Pouco a pouco, as peças dos jogos deixam de cair ao chão, as crianças ajudam-se e deixam-se ajudar. Depois há que compensar os seus esforços gritando "Ehhhhhhhhhhh" "já está" "muito bem conseguiste!" e o seu sorriso compensa-nos.
Ensinar a brincar também é preciso para que depois possam brincar sozinhos.

Quero agradecer a participação dos pais nesta actividade e prepará-los para algumas que hão-de vir.
A vossa participação é muito importante para os vossos filhotes, pois precisam de sentir que não há uma quebra na sua educação, pelo contrário, há envolvimento. Para nós "educadores" a relação de apoio e confiança mutua facilita a comunicação e desta forma podemos complementar a educação de cada criança e caminharmos para o mesmo fim- o seu bem estar físico e emocional.

domingo, 26 de setembro de 2010

A importância das músicas e canções infantis

A música é para as crianças uma parte essencial no seu desenvolvimento e aprendizagem. É que a criança é capaz de escutar até mesmo antes de nascer. Sim, cientificamente está provado que o primeiro sentido que se desenvolve no feto no ventre materno é o ouvido.
As canções infantis têm uma variedade de benefícios para as crianças. E, além de serem divertidas nas danças, nas suas letras, no seu ritmo, são um instrumento essencial no desenvolvimento cognitivo, motor, afectivo, intelectual, auditivo… Em seguida vamos explicar-lhe o porquê.
Um dos muitos benefícios das canções infantis é o desenvolvimento motor que possibilita na criança. As canções infantis possuem ritmos bastante marcados mas ao mesmo tempo muito suaves. A criança percebe-os e sem dar-se conta, move-se ao ritmo da música que ouve. Este movimento fará com que a criança desenvolva a sua expressão corporal, a sua coordenação e a sua capacidade motora.
As canções infantis possuem letras ritmadas e muito repetitivas que são bastante benéficas para a criança no momento de aprender as letras. Além disso, como estas letras vão acompanhadas de gestos, também favorecem a dicção da criança, e a sua capacidade de compreensão.
Além de tudo isto, as canções infantis cativam as crianças. Pois são canções divertidas, cheias de gestos e movimentos, com letras divertidas…"

sábado, 25 de setembro de 2010

As nossas brincadeiras- a brincar aprendemos a crescer!


Cheguei à creche!!


A sala vazia encheu-se de muita cor. Os brinquedos ganharam vida! Sairam de dentro das caixas pelas mãos dos nossos bébés. Tão pequeninos mas cheios de vida!

É tempo de adaptações. Deixar a mamã e ficar no seu novo espaço... Adaptar-se é um bocadinho  difícil! O choro enche a sala. A tristeza dos pais em deixá-los, mesmo sabendo que estão bem, é visível nos seus olhos.... mas eles ficam bem!
Muito colinho e conversas, brincadeiras e brinquedos que os façam distrair... e mais colinho e beijinhos. Chupetas e bolachinhas...e o choro vai fugindo de mansinho. E cada dia que passa há menos choro e menos angustia.


Irrequietos, exploram os cantos deste novo espaço. Põem os brinquedos à boca e com os seus deditos procuram um buraquinho ou um botão que faça saltar um boneco ou uma música que os faça sorrir.

Os nossos bébés sorriem com os olhos de quem quer conhecer tudo à sua volta. Arrastam-se pelo chão e gatinham para chegarem a um lugar que já escolheram com o olhar. Comunicam o que sentem com o seu olhar, com um "aiá", um "mmmmm" ou um dedito a apontar. Afirmam a sua vontade pelo "não!" que sabem dizer tão bem. Experimentam sons labiais e acham piada !!!.
Brincamos com o corpo e descobrimos onde estão os olhos, a boca, o nariz, as orelhas, os pés e as mãos. Deitamo-nos no chão e fazemos o cavalinho. Cantamos e contamos histórias com animais ou objectos do dia a dia. 

É divertido conhecer-nos! Tapamos os olhos ou a cara com as mãos ou uma fralda e dizemos: "onde está o Francisco?", "onde está a Maria?" e de repente destapamo-nos e dizemos "cu-cu está aqui!!!".
É uma maneira de  conhecermos pelo nosso nome e de identificarmos o outro.

Já nos sentámos na mesa a fazer joguinhos de encaixe e gostámos; fazemos torres com legos; comemos sozinhos; ajudamos a arrumar os brinquedos; arrumamos as cadeiras debaixo da mesa; sentamo-nos na manta para colocar os bibes ou beber água; já sabemos onde estão os nossos brinquedos ou livros.

Ao principio os fantoches assustavam-nos mas agora ajudam-nos a crescer. Olhamos para eles espantados e curiosos e já os queremos tocar e brincar. Afinal é divertido!

O carinho e todo o afecto que fomos construindo num curto espaço de tempo, a atenção dada a  cada bébé e a preocupação pelo seu bem estar e segurança, faz-nos sentir que conseguimos conquistar aquele coraçãozinho que saltita dentro de cada criança. Nós por eles e eles por Nós.
Logo de manhã, os braços  erguem-se para nós na passagem do colo da mãe para o nosso.  Um sorriso de "Bom Dia" transparece nos nossos rostos e pensamos logo" tu ficas bem".
E é assim todos os dias... brincamos e aprendemos a brincar. Mimamos e somos mimados.
São meninos e meninas doces com  ar de reguila a quem dedicamos o nosso colo e afecto.

Os espaços da nossa salinha ...




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A nossa salinha está dividida em Berçário e Aquisição de Marcha. São espaços com características diferentes adequados à faixa etária dos nossos bébés.
 Preparar o espaço, criar um ambiente de aprendizagem, divertimento, brincadeira e bem estar para cada criança, constitui uma das minhas preocupações, já que o espaço é o meio onde as crianças interagem com as outras crianças, com os adultos, com os objectos e equipamentos e mesmo com elas próprias. É importante criar um espaço com diferentes áreas, alegre, colorido, seguro e que essencialmente respeite o interesse e as característiccas individuais de cada  criança.
O arranjo da sala afecta tudo quanto a criança faz; afecta o grau de actividade, as suas escolhas, as suas relações e o modo como utiliza os materiais e os explora.
O material e equipamentos devem harmonizar-se de tal forma que proporcione um ambiente aconchegante e familiar. Tanto os materiais, como os equipamentos devem ser adequados à faixa etária das crianças sendo concebidos de modo a que possam cobrir convenientemente as suas necessidades  no sentido de fomentar a sua criatividade, capacidade de adaptação, autonomia, imaginação, curiosidade, aprendizagem etc.


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Desenho Infantil

A evolução do desenho infantil

Descoberta de um universo - A evolução do desenho infantil
Thereza Bordoni
"Antes eu desenhava como Rafael,
mas precisei de toda uma existência
para aprender a desenhar como as crianças".
(Picasso)



Os primeiros estudos sobre a produção gráfica das crianças datam do final do século passado e estão fundados nas concepções psicológicas e estéticas de então. É a psicologia genética, inspirada pelo evolucionismo e pelo princípio do paralelismo da filogênese com a ontogênese que impõe o estudo científico do desenvolvimento mental da criança (Rioux, 1951).
As concepções de arte que permearam os primeiros estudos estavam calcadas em uma produção estética idealista e naturalista de representação da realidade. Sendo a habilidade técnica, portanto, uma fator prioritário. Foram poucos os pesquisadores que se ocuparam dos aspectos estéticos dos desenhos infantis.
Luquet (1927 - França) fala dos 'erros' e 'imperfeições' do desenho da criança que atribui a 'inabilidade' e 'falta de atenção', além de afirmar que existe uma tendência natural e voluntária da criança para o realismo.
Sully vê o desenho da criança como uma 'arte embrionária' onde não se deve entrever nenhum senso verdadeiramente artístico, porém, ele reconhece que a produção da criança contém um lado original e sugestivo. Sully afirma ainda que as crianças são mais simbolistas do que realistas em seus desenhos (Rioux, 1951).
São os psicólogos portanto, que no final do século XIX descobrem a originalidade dos desenhos infantis e publicam as primeiras 'notas' e 'observações' sobre o assunto. De certa forma eles transpõem para o domínio do grafismo a descoberta fundamental de Jean Jacques Rousseau sobre a maneira própria de ver e de pensar da criança.
As concepções relativas a infância modificaram-se progressivamente. A descoberta de leis próprias da psique infantil, a demonstração da originalidade de seu desenvolvimento, levaram a admitir a especificidade desse universo.

A maneira de encarar o desenho infantil evolui paralelamente.

Modo de expressão próprio da criança, o desenho constitui uma língua que possui vocabulário e sua sintaxe. Percebe-se que a criança faz uma relação próxima do desenho e a percepção pelo adulto. Ao prazer do gesto associa-se o prazer da inscrição, a satisfação de deixar a sua marca. Os primeiros rabiscos são quase sempre efetuados sobre livros e folhas aparentemente estimados pelo adulto, possessão simbólica do universo adulto tão estimado pela criança pequena.

Ao final do seu primeiro ano de vida, a criança já é capaz de manter ritmos regulares e produzir seus primeiros traços gráficos, fase conhecida como dos rabiscos ou garatujas ( termo utilizado por Viktor Lowenfeld para nomear os rabiscos produzidos pela criança).

O desenvolvimento progressivo do desenho implica mudanças significativas que, no início, dizem respeito à passagem dos rabiscos iniciais da garatuja para construções cada vez mais ordenadas, fazendo surgir os primeiros símbolos Essa passagem é possível graças às interações da criança com o ato de desenhar e com desenhos de outras pessoas. Na garatuja, a criança tem como hipótese que o desenho é simplesmente uma ação sobre uma superfície, e ela sente prazer ao constatar os efeitos visuais que essa ação produziu. No decorrer do tempo, as garatujas, que refletiam sobretudo o prolongamento de movimentos rítmicos de ir e vir, transformam-se em formas definidas que apresentam maior ordenação, e podem estar se referindo a objetos naturais, objetos imaginários ou mesmo a outros desenhos. Na evolução da garatuja para o desenho de formas mais estruturadas, a criança desenvolve a intenção de elaborar imagens no fazer artístico. Começando com símbolos muito simples, ela passa a articulá-los no espaço bidimensional do papel, na areia, na parede ou em qualquer outra superfície. Passa também a constatar a regularidade nos desenhos presentes no meio ambiente e nos trabalhos aos quais ela tem acesso, incorporando esse conhecimento em suas próprias produções. No início, a criança trabalha sobre a hipótese de que o desenho serve para imprimir tudo o que ela sabe sobre o mundo. No decorrer da simbolização, a criança incorpora progressivamente regularidades ou códigos de representação das imagens do entorno, passando a considerar a hipótese de que o desenho serve para imprimir o que se vê.

É assim que, por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então ser apropriadas pelas leituras simbólicas de outras crianças e adultos.

O desenho está também intimamente ligado com o desenvolvimento da escrita. Parte atraente do universo adulto, dotada de prestigio por ser "secreta", a escrita exerce uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes de ela própria poder traçar verdadeiros signos. Muito cedo ela tenta imitar a escrita dos adultos. Porém, mais tarde, quando ingressa na escola verifica-se uma diminuição da produção gráfica, já que a escrita ( considerada mais importante) passa a ser concorrente do desenho.

O desenho como possibilidade de brincar, o desenho como possibilidade de falar de registrar, marca o desenvolvimento da infância, porém em cada estágio, o desenho assume um caráter próprio. Estes estágios definem maneiras de desenhar que são bastante similares em todas as crianças, apesar das diferenças individuais de temperamento e sensibilidade. Esta maneira de desenhar própria de cada idade varia, inclusive, muito pouco de cultura para cultura .

Luquet[2] distingue quatro estágios:

1. Realismo fortuito: começa por volta dos 2 anos e põe fim ao período chamado rabisco. A criança que começou por traçar signos sem desejo de representação descobre por acaso uma analogia com um objeto e passa a nomear seu desenho.

2. Realismo fracassado: Geralmente entre 3 e 4 anos tendo descoberto a identidade forma-objeto, a criança procura reproduzir esta forma.

3. Realismo intelectual: estendendo-se dos 4 aos 10-12 anos, caracteriza-se pelo fato que a criança desenha do objeto não aquilo que vê, mas aquilo que sabe. Nesta fase ela mistura diversos pontos de vista ( perspectivas ).

4. Realismo visual: É geralmente por volta dos 12 anos, marcado pela descoberta da perspectiva e a submissa às suas leis, daí um empobrecimento, um enxugamento progressivo do grafismo que tende a se juntar as produções adultas.

Marthe Berson distingue três estágios do rabisco:

1. Estagio vegetativo motor: por volta dos 18 meses, o traçado e mais ou menos arredondado, conexo ou alongado e o lápis não sai da folha formando turbilhões.

2. Estagio representativo: entre dois e 3 anos, caracteriza-se pelo aparecimento de formas isoladas, a criança passa do traço continuo para o traço descontinuo, pode haver comentário verbal do desenho.

3. Estagio comunicativo: começa entre 3 e 4 anos, se traduz por uma vontade de escrever e de comunicar-se com outros. Traçado em forma de dentes de serra, que procura reproduzir a escrita dos adultos.

Em uma análise Piagetiana, temos:

1. Garatuja: Faz parte da fase sensório motora ( 0 a 2 anos) e parte da fase pré-operacional (2 a 7 anos). A criança demonstra extremo prazer nesta fase. A figura humana é inexistente ou pode aparecer da maneira imaginária. A cor tem um papel secundário, aparecendo o interesse pelo contraste, mas não há intenção consciente. Pode ser dividida em:

- Desordenada: movimentos amplos e desordenados. Com relação a expressão, vemos a imitação "eu imito, porém não represento". Ainda é um exercício.

- Ordenada: movimentos longitudinais e circulares; coordenação viso-motora. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, pois aqui existe a exploração do traçado; interesse pelas formas (Diagrama).

Aqui a expressão é o jogo simbólico: "eu represento sozinho". O símbolo já existe. Identificada: mudança de movimentos; formas irreconhecíveis com significado; atribui nomes, conta histórias. A figura humana pode aparecer de maneira imaginária, aparecem sóis, radiais e mandalas. A expressão também é o jogo simbólico.

2. Pré- Esquematismo: Dentro da fase pré-operatória, aparece a descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. Quanto ao espaço, os desenhos são dispersos inicialmente, não relaciona entre si. Então aparecem as primeiras relações espaciais, surgindo devido à vínculos emocionais. A figura humana, torna-se uma procura de um conceito que depende do seu conhecimento ativo, inicia a mudança de símbolos. Quanto a utilização das cores, pode usar, mas não há relação ainda com a realidade, dependerá do interesse emocional. Dentro da expressão, o jogo simbólico aparece como: "nós representamos juntos".

3. Esquematismo: Faz parte da fase das operações concretas (7 a 10 anos).Esquemas representativos, afirmação de si mediante repetição flexível do esquema; experiências novas são expressas pelo desvio do esquema. Quanto ao espaço, é o primeiro conceito definido de espaço: linha de base. Já tem um conceito definido quanto a figura humana, porém aparecem desvios do esquema como: exagero, negligência, omissão ou mudança de símbolo. Aqui existe a descoberta das relações quanto a cor; cor-objeto, podendo haver um desvio do esquema de cor expressa por experiência emocional. Aparece na expressão o jogo simbólico coletivo ou jogo dramático e a regra.



4. Realismo: Também faz parte da fase das operações concretas, mas já no final desta fase. Existe uma consciência maior do sexo e autocrítica pronunciada. No espaço é descoberto o plano e a superposição. Abandona a linha de base. Na figura humana aparece o abandono das linhas. As formas geométricas aparecem. Maior rigidez e formalismo. Acentuação das roupas diferenciando os sexos. Aqui acontece o abandono do esquema de cor, a acentuação será de enfoque emocional. Tanto no Esquematismo como no Realismo, o jogo simbólico é coletivo, jogo dramático e regras existiram.

5. Pseudo Naturalismo: Estamos na fase das operações abstratas (10 anos em diante)É o fim da arte como atividade expontânea. Inicia a investigação de sua própria personalidade. Aparece aqui dois tipos de tendência: visual (realismo, objetividade); háptico ( expressão subjetividade) No espaço já apresenta a profundidade ou a preocupação com experiências emocionais (espaço subjetivo). Na figura humana as características sexuais são exageradas, presença das articulações e proporções. A consciência visual (realismo) ou acentuação da expressão, também fazem parte deste período. Uma maior conscientização no uso da cor, podendo ser objetiva ou subjetiva. A expressão aparece como: "eu represento e você vê" Aqui estão presentes o exercício, símbolo e a regra.

E ainda alguns psicólogos e pedagogos, em uma linguagem mais coloquial, utilizam as seguintes referencias:

· De 1 a 3 anos

É a idade das famosas garatujas: simples riscos ainda desprovidos de controle motor, a criança ignora os limites do papel e mexa todo o corpo para desenhar, avançando os traçados pelas paredes e chão. As primeiras garatujas são linhas longitudinais que, com o tempo, vão se tornando circulares e, por fim, se fecham em formas independentes, que ficam soltas na página. No final dessa fase, é possível que surjam os primeiros indícios de figuras humanas, como cabeças com olhos.

· De 3 a 4 anos
Já conquistou a forma e seus desenhos têm a intenção de reproduzir algo. Ela também respeita melhor os limites do papel. Mas o grande salto é ser capaz de desenhar um ser humano reconhecível, com pernas, braços, pescoço e tronco .

· De 4 a 5 anos
É uma fase de temas clássicos do desenho infantil, como paisagens, casinhas, flores, super-heróis, veículos e animais, varia no uso das cores, buscando um certo realismo. Suas figuras humanas já dispõem de novos detalhes, como cabelos, pés e mãos, e a distribuição dos desenhos no papel obedecem a uma certa lógica, do tipo céu no alto da folha. Aparece ainda a tendência à antropomorfização, ou seja, a emprestar características humanas a elementos da natureza, como o famoso sol com olhos e boca. Esta tendência deve se estender até 7 ou 8 anos

· De 5 a 6 anos
os desenhos sempre se baseiam em roteiros com começo, meio e fim. As figuras humanas aparecem vestidas e a criança dá grande atenção a detalhes como as cores. Os temas variam e o fato de não terem nada a ver com a vida dela são um indício de desprendimento e capacidade de contar histórias sobre o mundo.

· De 7 a 8 anos
O realismo é a marca desta fase, em que surge também a noção de perspectiva. Ou seja, os desenhos da criança já dão uma impressão de profundidade e distância. Extremamente exigentes, muitas deixam de desenhar, se acham que seus trabalhos não ficam bonitos.

O importante é respeitar os ritmos de cada criança e permitir que ela possa desenhar livremente, sem intervenção direta, explorando diversos materiais, suportes e situações.

Para tentarmos entender melhor o universo infantil muitas vezes buscamos interpretar os seus desenhos, devemos porem lembrar que a interpretação de um desenho isolada do contexto em que foi elaborado não faz sentido.

É aconselhável, ao professor, que ofereça às crianças o contato com diferentes tipos de desenhos e obras de artes, que elas façam a leitura de suas produções e escutem a de outros e também que sugira a criança desenhar a partir de observações diversas (cenas, objetos, pessoas) para que possamos ajuda-la a nutrisse de informações e enriquecer o seu grafismo. Assim elas poderão reformular suas idéias e construir novos conhecimentos.

Enfim, o desenho infantil é um universo cheio de mundos a serem explorados.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Frases Sobre Crianças

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domingo, 15 de agosto de 2010



A Entrada Na Creche - a angústia da separação


Após a Licença de Maternidade (que pode ser partilhada com o Pai do Bebé), os Pais têm de voltar à sua rotina laboral, ou seja, voltar ao emprego e deixar o seu Novo Tesouro na Creche, na Ama ou com os Avós. Após alguns meses de estreita relação a tempo inteiro entre a Mãe/Pai e o Bebé, chega a altura de entregar o pequenote na Creche... Quem estará mais ancioso e quem sentirá mais saudades? Os Pais/Familiares ou a Criança?

Muitas Mães perguntam-se: "Mas ele/ela ainda é tão pequenino(a), como posso deixá-lo(a) num ambiente que lhe é estranho e sem a minha presença?"

É comum encontrar Pais que estão muito nervosos com a entrada do seu Filho na Creche, no entanto, deverão estar calmos e confiantes. Será um processo de transição gradual que se fará a pouco e pouco, para que Mãe e Filho se sintam confortáveis com a nova situação.

A atitude mais Saudável para o Bebé será transmitir-lhe boas sensações.


Assegure-se que optou pela Creche indicada, com Educadoras em quem confia. Comunique-lhes todas as suas dúvidas e receios para que tudo fique esclarecido antes de apresentar ao seu bebé a sua nova Creche. Deverá ter boas sensações nesse local para que as transmita ao seu Filho. Mostre confiança e tente transmitir a mensagem mais importante: "A Mamã já volta; gosta muito de ti; ficarás seguro neste local, onde terás outras pessoas que também gostam de ti e que cuidarão de ti com todo o carinho; viverás novas experiências e irás sentir a presença/companhia e, futuramente, socializar com outros Bebés..."

Não se sinta relutante, mas antes, calma, tranquila e confiante! A Creche não deverá ser "o inimigo que rouba o meu bebé durante o dia", mas antes, uma grande parceira na Educação, Desenvolvimento e Crescimento do seu filho, por forma a transmitir-lhe as bases necessárias para a Felicidade e o Bem Estar Físico, Psiquico, Emocional e Intelectual.
O Desenvolvimento das Crianças dos 0 aos 3 anos

Primeiro Ano de Vida


Durante todo o primeiro ano de vida, verifica-se uma completa dependência dos cuidados ambientais. Este período de dependência é mais acentuado nos mamíferos e nas aves, e em especial, nas espécies mais encefalizadas. Ocorrendo a máxima duração na nossa espécie.


Esta é uma relação que traz proveitos para ambos os lados. Se, no caso do bebé, o seu objectivo está ligado à própria sobrevivência pessoal, no caso da progenitora, tal é igualmente uma questão de sobrevivência, mas, neste caso, a sobrevivência dos seus genes.



Após nove meses dentro do útero materno, o bebé estará provavelmente preparado para entrar no mundo exterior. No entanto, mais do que em qualquer outro animal, o desenvolvimento continua muito para além do nascimento, quer a nível intelectual, quer a nível motor. No seu conjunto, o recém-nascido está mais afastado da idade adulta do que as crias da maioria das espécies. De certa maneira, todos nós nascemos prematuros.



Alguns autores defendem que este ritmo atrasado de desenvolvimento é o que mais distintamente nos torna humanos, pois o seu resultado inevitável é um período extenso e prolongado de dependência. Por um lado, tal constitui um grande inconveniente para a criança e para os pais mas, simultaneamente, acarreta grandes benefícios. Com efeito, um período tão longo de dependência justifica-se pelo facto de ser uma criatura cuja principal especificidade é a capacidade de aprender e, invenção básica, a cultura, isto é, os modos de ser e estar no mundo que cada geração transmite para a seguinte. Desta forma, com tanto para aprender, as crianças têm muito a ganhar com o facto de serem forçadas a permanecer junto daqueles que as ensinam.





"O Equipamento do Recém-nascido"

Ao nascer, os bebés têm pouco controlo sobre o seu aparelho motor. Os recém-nascidos possuem reduzidas capacidades de acção: agitam-se duma forma descoordenada e nem conseguem segurar a cabeça. Aos 4 meses de idade, serão capazes de se sentar com apoio e de tentar agarrar objectos que estejam à vista, mas algo que realizam com taxas de insucesso elevadas.



No entanto, o recém-nascido começa a vida com um equipamento neurológico de sobrevivência, um conjunto de reflexos primitivos que o ajudará ao longo desta primeira fase de vida.





Alguns destes reflexos, nos primeiros meses, estão relacionados com o acto de agarrar-se à pessoa que a pega ao colo. Um exemplo é o reflexo de preensão palmar: ocorre quando um objecto toca a palma da mão do bebé, e este procura automaticamente apertar o objecto, sem o largar. Se o objecto é levantado, a criança continua agarrada e é erguida conjuntamente com ele. Este reflexo está relacionado com a herança primitiva dos nossos antepassados primatas, cujas crias se agarram ao corpo peludo das mães.


Outra reflexo diz respeito à alimentação- Reflexo dos pontos cardeais. Ao aproximar algo da face do bebé, a sua cabeça volta-se na direcção da fonte de estimulação, com a boca aberta. A cabeça continua a rodar até que o estímulo, normalmente um mamilo, dedo ou tetina, se encontre dentro da boca. Quando se chega a este ponto, o bebé começa instintivamente a sugar.



Ao fim de poucos meses estes reflexos extinguem-se. Nalguns casos, o reflexo acaba por ser substituído por uma resposta consciente. Por exemplo, o reflexo de preensão palmar desaparece por volta dos três ou quatro meses de idade, o que não significa que deixem de agarrar coisas com a mão. Por essa altura, fazem-no, mas de uma forma voluntária. Estes actos voluntários não podem ser executados, mesmo desajeitadamente, antes de várias partes do córtex cerebral terem atingido um nível de maturidade suficiente para os tornar possíveis. Até essa altura, os reflexos do bebé funcionam enquanto um substituto temporário.


A capacidade sensorial do bebé

Enquanto as capacidades motoras dos bebés são, inicialmente, muito limitadas, os canais sensoriais funcionam, desde logo, bastante bem. Tal é amplamente comprovado nas mudanças dos ritmos de respiração, de mamar e de índices semelhantes de resposta à estimulação.



Os recém nascidos têm uma audição apurada. Conseguem discriminar entre tons de diferentes alturas e intensidades; possuem uma certa tendência para responder a uma voz humana suave, especialmente feminina, preferencialmente a outros sons. Conseguem ver, apesar de um tanto "míopes" e incapazes de focar objectos a distâncias maiores do que cerca de um metro e vinte; podem discriminar facilmente brilho e cor e seguir um estímulo móvel com os olhos. Além disso, são sensíveis ao tacto, aos odores e ao paladar.


Desenvolvimento Emocional / Social

Os instintos e reflexos inatos giram, antes de mais nada, à volta da ingestão de alimentos e à satisfação das necessidades básicas. Consequentemente, existe uma enorme dependência da mãe, com a qual o recém-nascido mostra-se quase fundido, ainda sem grande capacidade de individualidade e autonomia. A comunicação com a mãe (ou outro adulto de referência) proporciona à criança segurança.



O sentimento de aceitação incondicional por parte da mãe é um factor indispensável ao desenvolvimento da confiança. Na ausência de uma relação duradoura com uma pessoa (para alimentação, cuidados, contacto da pele), pode resultar a retirada para dentro de si mesmo, ou indiferença.
Se no início, a criança sente a mãe como parte de si mesma, no culminar do primeiro ano, ela aprende a vivenciar a mãe como objecto separado (com identidade e papel próprios). Aprende a esperar (tolerância à frustração) e, desta capacidade de espera resulta o ecoar interno de uma representação da mãe.
Mas, esses momentos de crescimento só serão possíveis se esta etapa for suficientemente preenchida de boas experiências emocionais, que permitam ao bebé um modelo de estabilidade e segurança, previsível e contínuo. Ganham os bebés que se ligam bem aos adultos mais próximos, e com eles constróem uma relação de confiança básica, marcada por um padrão rotineiro, sem períodos de separações traumáticas ou perdas de figuras de referência. Perdem aqueles que, por oposição, possuírem vinculações inseguras, marcadas pela instabilidade ou, por múltiplos prestadores de cuidados.


Esta vinculação pode ser indicadora da qualidade das ligações emocionais futuras da criança. Aquelas cuja ligação com a mãe ocorreu de modo seguro, estão naturalmente mais aptas a gostar de ir à escola, aprender, brincar, receber e visitar amigos, e um dia namorar, casar, terem a sua família organizada. Tal é possível devido a uma confiança básica em si e no mundo adquirida precocemente.
É também pelas pequenas frustrações do dia-a-dia que a criança continua a crescer. Nenhum adulto satisfaz 100% no que diz respeito à capacidade de resposta das necessidades das crianças. Dentro de certos limites, é por uma boa dose de frustração (desapontamento, desilusão) que o bebé reconhece cada vez mais os seus limites, bem como os dos outros que dela cuidam, e sai, pouco a pouco, de uma posição omnipotente.

É igualmente aconselhável que, durante o primeiro ano de vida, o bebé possa ocupar o seu espaço privado num quarto próprio. Para que, pouco a pouco, se possa adaptar a pequenos sinais da sua autonomia emocional e social.


Neste Estádio de Desenvolvimento, os bebés aprendem, principalmente, através dos sentidos, e são, fortemente, afectados pelo aqui e agora. Daí a importância de lhes assegurar um meio sensorial rico e responsivo de modo a promover o desenvolvimento da inteligência das crianças.


Actividade Lúdica do Bebé
O bebé precisa de se adaptar a um mundo novo mas, para tal, necessita de conhecê-lo e compreendê-lo. Por natureza, as crianças são muito curiosas, possuindo um desejo natural de compreender tudo o que se passa à sua volta, embora seja limitado pelas suas reduzidas capacidades motoras, que restringem as suas possibilidades de exploração.





Como se tem verificado, desde o primeiro momento, a capacidade perceptiva e a inteligência do bebé actuam em consonância com o ambiente. Um bebé, deitado no berço, verifica que, ao mexer-se, o móbil também se mexe. A partir daí, repete o mesmo movimento, porém, agora de forma objectiva e consciente. Dado que o bebé, nesta etapa, se encontra maioritariamente deitado, a decoração da cama do bebé estimula a sua inteligência. Obviamente que, à medida que vai crescendo, tal estende-se a outros espaços.


Aos 4 meses, a criança consegue controlar de forma mais eficaz os seus movimentos podendo, com razoável precisão, aproximar a mão dos objectos, desde que estes estejam próximos. Então, o chocalho que ela sacode e produz som, o brinquedo que ela morde, a grade do berço, etc., cada objecto próximo adquire vida e estimula-a para novas e ricas experiências.



Nestas idades é muito comum brincar com o abrir e fechar os olhos, o que, para a criança, representa perder o mundo ou possuí-lo. Uma boa forma de estimulação que a criança pode realizar com o adulto é a tradicional brincadeira de esconder a cara com algo, e depois reaparecer.


O atirar objectos para o chão, actividade que tanto aborrece os adultos, mas que diverte imensamente as crianças, acaba por ser uma experiência que o bebé faz com o objecto e com o adulto, numa relação causa/efeito, em que o atirar o objecto causa o seu desaparecimento e respectivo barulho na queda, e a respectiva reacção na cara dos adultos...



No segundo semestre de vida, o bebé descobre um novo e maravilhoso brinquedo: os seus pequenos dedos, e a sua capacidade para entrar em objectos ocos. Geralmente, os "receptáculos" preferidos para os seus dedos são os olhos, ouvidos, a boca (sua e das pessoas à volta), etc. Nesta fase, a criança passa a explorar tudo o que seja possível meter lá um dedo (atenção às tomadas eléctricas...).


O bebé sente prazer em explorar, manipular, encaixar, descobrir, construir... O desejo de aprender e conhecer é evidente em todos os bebés saudáveis. No início da vida, cada gesto e acto executado actua de forma permanente na construção da sua inteligência e desenvolvimento. A curiosidade faz parte da natureza humana, e caminha, lado a lado, com os interesses e necessidades de cada indivíduo, influenciando-o.



Verifica-se em alguns adultos, que estes "podam" a curiosidade natural das crianças, impedindo-os de tocar, sentir e experimentar determinados objectos. A repetição constante do NÃO e a punição física em resposta a esse desejo natural da criança poderá trazer, como consequência para o seu desenvolvimento os seguintes problemas:
- Baixo Q.I.;
- Futuros problemas na aprendizagem;
- Insegurança;
- Retraimento, timidez, medo do desconhecido;
- Intolerância à frustração;
- Chamadas de atenção pela negativa;
-Baixo auto-conceito/auto-estima;
- Entre outros.


Uma criança pequena não tem noção do perigo, e é óbvio que ela também precisa de aprender o NÃO, mas ao mesmo tempo precisa de estímulos para crescer, aprender e compreender tanto objectos, como pessoas, que fazem parte do seu mundo.





A Criança Aprende a Brincar!
É a brincar que a criança aprende o que mais ninguém lhe pode ensinar. É dessa forma que ela se estrutura e conhece a realidade. Além de estar a conhecer o mundo, está-se a conhecer a si mesma. Ela descobre, compreende o papel dos adultos, aprende a comportar-se e a sentir-se como eles. Não são necessários muitos brinquedos para o bebé brincar, antes pelo contrario, o poder da imaginação e da criatividade é enorme.





Ideias para estimulação do Bebé
1º. mês - Converse ou cante para o bebé. O som da sua voz é reconfortante e transmite-lhe segurança.
Faça massagens à criança, estimule cada parte do corpo dela: pés, mãos, costas, rosto. Pode-se colocar música suave e revelar, através deste contacto físico, os seus sentimentos por ele pois, o toque das mãos transmite amor, carinho e segurança.

2º mês - Apresente objectos grandes e coloridos para que ele possa brincar e tentar alcançá-los com as mãos.
Junto ao berço coloque um móbil colorido dentro do campo de visão do bebé.

3º. mês - Cante, faça gestos e expressões faciais. O bebé tentará imitar e responderá aos estímulos com sorrisos e ruídos.
Estimule o tacto do bebé com objectos de diferentes texturas. Ex.: passar no pé ou na mão dele uma pluma e observar as reacções; encostar na mão algo áspero e depois macio. Coloque-o sentado apoiado por almofadas.
4º. mês - Conte histórias curtas e imite o barulho dos animais com diferentes tons de voz. O bebé tentará imitar.
Mande-lhe brinquedos (bolas, dados) para ele tentar agarrar.
5º. mês - Deixe-o brincar com brinquedos macios, como mordedores, pois tudo que ele agarrar, vai levar à boca.
Coloque músicas de diferentes ritmos e dance com ele.
Espalhe brinquedos à sua volta deixe-o a brincar no chão.

6º. mês - Durante as refeições relate ao bebé o que ele está a comer. Mostre-lhe os alimentos.
Nesta fase, convide a criança para passear, e espere que ela lhe estenda os braços.
Imite o barulho dos animais e objectos, como gatos, telefone, estimulando-o a fazer o mesmo. Ao ar livre, deixe-o próximo das árvores, para que ele observe o balancear o e barulho das folhas.


7º. mês – Proporcione à criança a manipulação de brinquedos que façam barulho, de diferentes cores, formas e tamanhos. Coloque-os próximos do bebé e estimule-o de modo a ele ir buscá-los.
Ensine-o a dizer adeus. Em pouco tempo repetirá os gestos dos adultos.

8º. mês - Brinque às escondidas com uma toalha ou cortina. Permita que a criança mande objectos para o chão. Ele repetirá inúmeras vezes este movimento. Desta forma, está-se a fomentar a noção de causa e efeito.
Conte histórias, mostrando as imagens do livro.

9º. mês - Deixe perto do bebé brinquedos grandes e coloridos. Ensine-o a empilhá-los e a encaixá-los.
Quando junto do bebé, relate-lhe tudo o que faz. Ele começará a repetir sílabas. Converse sobre animais e imite o barulho dos mesmos.

10º. mês - Converse com o bebé e dê-lhe alternativas. Por exemplo: "Queres o urso ou a bola". Assim ele apontará o que quer e muitas vezes irá chorar se não for atendido.
Dance e cante com ele no colo, ele tentará imitar a coreografia e soltará os seus monossílabos.
Dê-lhe um telefone de brinquedo. Assim, está a incentivar a linguagem.

11º. mês - Participe nas brincadeiras da criança.
Deixe à mão objectos que possam ser colocados e retirados de uma caixa ou balde.
Chame a atenção dele para objectos e animais conhecidos e também para as novidades.
Estimule-o a beber água em copos ou com o auxílio de palhinhas.

12º mês - Cante e conte histórias. Disponibilize livros e revistas para manusear. Incentive-o a comer sozinho e a guardar brinquedos.
Ele já entende ordens curtas, portanto explique-lhe tudo: o que estão a fazer, onde vão, etc... Brinque às escondidas ou à apanhada com a criança. Jogue à bola com ela.





Segundo / Terceiro Ano
Depois do primeiro ano, existem três marcos evolutivos do desenvolvimento da criança:
- O aparecimento da marcha;
- O início da linguagem (sobretudo a possibilidade de dizer "não");
- E o controlo dos esfíncteres, que representa a possibilidade de entre os 2 e os 3 anos prescindir-se do uso de fraldas.



Com a aprendizagem da marcha e da linguagem, a criança adquire, de forma progressiva, a sua independência motora, ficando muito mais apta a explorar o que a rodeia. Nesta fase, a capacidade de tolerar a distância e a ausência dos pais é maior, mas ainda não é substancial. Para que exista uma presença emocional dos pais na vida psíquica da criança, a sua presença é ainda muito necessária.
Por esta altura, a criança começa a andar, sobe e desce escadas, vai para cima dos móveis, etc. - o equilíbrio é inicialmente bastante instável, uma vez que os músculos das pernas ainda não estão bem fortalecidos. Contudo, a partir dos 16 meses, o bebé já é capaz de caminhar e de se manter de pé em segurança, com movimentos muito mais controlados. Verifica-se igualmente uma melhoria da motricidade fina devido à prática - capacidade de segurar um objecto, manipulá-lo, passá-lo de uma mão para a outra e largá-lo deliberadamente. Por volta dos 20 meses, será capaz de transportar objectos na mão enquanto caminha.


Após o segundo aniversário, e à medida que o seu equilíbrio e coordenação aumentam, a criança é capaz de saltar, andar ao pé-coxinho ou saltar de um pé para o outro quando está a correr ou a andar. É mais fácil manipular e utilizar objectos com as mãos, como um lápis de cor para desenhar ou uma colher para comer sozinha.



No segundo ano de vida, a linguagem começa igualmente a desenvolver-se e, a possibilidade de dizer "não", "eu" e "meu" surge como a expressão do eu próprio em oposição ao outro. Verifica-se uma grande mudança na consciência que a criança tem de si própria.

Após os 15 meses, verifica-se uma maior capacidade de compreensão das ordens impostas, inicialmente com o recurso de gestos, depois, sem os mesmos. Começa a conseguir acompanhar ordens simples, do género "Dá-me o brinquedo".
Uma vez que este é o período em que as crianças estão mais abertas à aprendizagem da linguagem, os adultos que falam muito com elas, que lhes lêem, ensinam canções e poemas infantis (por outras palavras, que usam a linguagem para comunicar com elas) têm um efeito marcante no seu desenvolvimento linguístico.
As inter-relações pessoais também ajudam as crianças a distinguir quais os comportamentos adequados e quais não são. À medida que o seu comportamento se torna cada vez mais complexo durante o segundo ano de vida, a criança vai aprendendo com as expressões faciais dos adultos, com o seu tom de voz, gestos e palavras, quais os tipos de comportamento que geram aprovação e quais geram reprovação. Os padrões geram-se através do dar e receber entre as crianças e os adultos que cuidam delas. Contudo, e a par do comportamento, são também muito importantes as emoções, os desejos e a auto-imagem em formação.


A partir dos 24 meses, surge a idade dos "Porquês?" À medida que se desenvolvem as suas competências linguísticas, a criança começa a exprimir-se de outras formas, que não apenas a exploração física - trata-se de juntar as competências físicas e de linguagem (por ex., quando faço isto, acontece aquilo), o que ajuda ao seu desenvolvimento cognitivo. É capaz de produzir regularmente frases de 3 e 4 palavras. A partir dos 32 meses, é já capaz de conversar com um adulto usando frases curtas e de continuar a falar sobre um assunto por um breve período. Ocorre igualmente um desenvolvimento da consciência de si: a criança pode referir-se a si própria como "eu" e pode conseguir descrever-se por frases simples, como "tenho fome".





No seu processo de evolução, por volta dos dois anos/dois anos e meio, vai-se verificar a capacidade de criar imagens mentais (aquilo a que chamamos símbolos, ideias). Tal leva à compreensão dos conceitos - progressivamente, e com a ajuda dos adultos, vai sendo capaz de compreender conceitos como dentro e fora, cima e baixo. Por volta dos 32 meses, começa a apreender o conceito de sequências numéricas simples e de diferentes categorias (o que mais tarde lhe permitirá o contar até 10; formar grupos de objectos - 10 animais de plástico podem ser 3 vacas, 5 porcos e 2 cavalos, etc.).


Por esta altura, as brincadeiras que implicam o fazer de conta ou a imaginação e que envolvem dramas humanos (por ex., bonecos a abraçar-se ou a lutar) ajudam a criança a aprender a relacionar uma imagem ou representação com um desejo, e depois usar essa imagem para pensar.



Surge então a capacidade de auto-observação. Esta capacidade é fundamental para o autocontrolo de actividades tão simples como pintar dentro ou fora dos riscos de um desenho, ou fazer corresponder imagens com números. A auto-observação também ajuda a estabelecer relações de empatia com os outros e a corresponder a expectativas.


Nesta fase, a criança irá investir muito na medição das suas posses, limites (de que algumas birras são exemplo), bem como em comportamentos omnipotentes, de risco ou de oposição. Embora seja um aspecto fundamental em todo o desenvolvimento, é uma altura em que se torna maior a importância das regras e limites estabelecidas às e com as crianças.



As birras são uma das formas mais comuns da criança chamar a atenção, e podem dever-se a mudanças ou a acontecimentos, ou ainda a uma resposta aprendida (costumam estar relacionadas com a frustração da criança e com a sua incapacidade de a comunicar de forma eficaz).


Frequentemente, existe uma tendência dos pais em facilitar-lhes tudo, devido a uma culpabilidade inconsciente que sentem em não passarem com os seus filhos o tempo que consideram ideal, considerando-se que conter, frustrar, contrariar ou proibir pode prejudicar a criança.



Mas, o que se verifica é que as crianças mais inseguras e com um maior sentimento de desprotecção são aquelas que, desde pequenas, não lhes foram passadas regras nem limites por uma entidade protectora.


Bases para a aprendizagem da disciplina
A seguir ao amor, o que de mais importante podemos dar a uma criança são os limites. Toda a aprendizagem, mesmo a dos limites e da organização, começa com o carinho, a partir do qual as crianças aprendem a confiar, a sentir calor humano, intimidade, empatia e afeição pelos que a rodeiam. Os limites e a organização começam com o afecto, pois 90% da tarefa de ensinar as crianças a interiorizarem os limites baseiam-se no desejo dela de agradar ao "outro". Elas sentem este desejo por diferentes razões: porque amam as pessoas que cuidam delas e querem a sua aprovação e o seu respeito e/ ou porque têm medo.


As crianças aprendem também a modelar as suas atitudes a partir das de quem está com elas. A moral desenvolve-se a partir da tentativa de querer ser como um adulto admirado.



Um dos problemas associados às regras e limites fundamentalmente estabelecidos a partir do medo prende-se com a impossibilidade da figura de autoridade estar sempre junto da criança, o que faz com que, na sua ausência, a criança não sinta medo da punição. Por outro lado, o excesso de medo pode criar na criança ansiedade e inibição na maior parte das situações, chegando ao ponto de inibir formas saudáveis de expressão


Quando a disciplina é estabelecida como uma aprendizagem e é reforçada, com muita empatia e carinho, as crianças sentem-se bem por seguirem as regras. A sensação de saber que se é "o menino dos olhos" de alguém é muito agradável. Quando essa criança sentir o olhar de desapontamento por um comportamento incorrecto, vai possuir uma sensação de perda porque não recebe o olhar carinhoso de quando se porta bem. Se nunca tivesse sentido tal, não haveria sensação de perda ou de frustração que a motivasse interiormente a modificar o comportamento.

Os castigos corporais não são uma boa alternativa à disciplina. Ela tem a ver com ensinar, não com o punir. Os castigos corporais não respeitam a criança e tendem a danificar a sua auto-imagem. Além disso, estamos a transmitir à criança a imagem de que, em determinadas situações, os problemas podem ser resolvidos através da violência. Medidas como a contenção, o isolamento, o afastamento são mais eficazes. Apesar de tudo, é necessário ver que a disciplina é uma tarefa a longo prazo. O objectivo é ensinar a criança a controlar os seus próprios impulsos.



Ao nível da socialização, a criança aprecia a interacção com adultos que lhe sejam familiares, imitando e copiando os comportamentos que observa. No entanto, vai verificando-se um aumento progressivo da autonomia: sente satisfação por estar num grupo de crianças, necessitando apenas de confirmar ocasionalmente a presença e disponibilidade do(s) adulto(s) de referência - esta necessidade aumenta em situações novas, surgindo uma maior dependência quando é necessária uma nova adaptação.


As suas interacções com as outras crianças são ainda limitadas: as suas brincadeiras decorrem sobretudo em paralelo e não em interacção com elas. A partir dos 20-24 meses, e à medida que começa a ter maior consciência de si própria, física e psicologicamente, começa a alargar os seus sentimentos sobre si própria aos outros - desenvolvimento da empatia (começa a ser capaz de pensar sobre o que os outros sentem).



Inicialmente, o leque de emoções é vasto, desde o puro prazer até à raiva frustrada. Embora a capacidade de exprimir livremente as emoções seja considerada saudável, a criança necessitará de aprender a lidar com as suas emoções e de saber que sentimentos são adequados, o que requer prática e ajuda dos adultos.


No decorrer do terceiro ano de vida, começa a verificar-se como tema comum de brincadeira a imitação e tentativa de participar nos comportamentos dos adultos: por ex., lavar a loiça, maquilhar-se, etc.



Controlo dos esfíncteres
Com cerca de dois anos de idade, inicia-se o processo de ensino do controlo dos músculos que permitem a possibilidade de contenção e expulsão das fezes e da urina (controlo dos esfíncteres). E, simultaneamente, a aprendizagem da limpeza do corpo. Travam-se as "lutas" do bacio. Do ponto de vista da criança, tal implica uma renúncia, um "favor" que se presta à mãe. Os pais desejam que a criança passe a utilizá-lo sempre que sente necessidade e esta vai aproveitar a possibilidade de controlo para os seus momentos de oposição e jogos de afirmação. É um momento importante do desenvolvimento e é de salientar que poderá provocar na criança muita ansiedade, sobretudo quando há excessiva rigidez na educação (chegando-se por vezes ao castigo quando a criança não controla). É desejável que este processo seja realizado com tranquilidade, aceitando o ritmo de cada uma.
A organização do espaço educativo
Organização do Ambiente Educativo: implica pensar em espaços que permitam a exploração do espaço e do corpo, desenvolvendo a motricidade larga (estruturas de apoio, trepar, túneis, escorregas, piscinas de bolas…) e as capacidades cognitivas e manipulativas (livros, jogos de encaixe, puzzles, bonecos, rocas…). Devemos ter em conta que a criança utiliza todos os sentidos para explorar o ambiente que a rodeia, o que implica estarmos atentos à temperatura, à luz, aos sons, aos cheiros bem como à organização e à estética; deverá haver espaços diferenciados, uns destinados a actividades físicas mais intensas e outros, com um tapete almofadado de material lavável, destinados a actividades mais tranquilas (ver livros, ouvir música, canções mimadas, ouvir uma história de fantoches, por exemplo). A organização do ambiente educativo não deve ser definitiva, deverá ser constantemente avaliada e readaptada às necessidades emergentes do grupo.
Objectivos da Creche









-Promover a integração e adaptação da criança;
- Criar laços afectivos com a criança;
- Respeitar a individualidade e o ritmo de cada um;
- Promover a interacção escola/família;
- Ajudar a criança a tomar consciência de si própria;
- Promover a socialização;
- Promover a autonomia da criança;
- Estimular o desenvolvimento físico, a coordenação motora, e o desenvolvimento sensorial e cognitivo, a função simbólica e da linguagem;
- Encorajar a criança, gradualmente, a desenvolver a sua capacidade para “estar” com os adultos, com as outras crianças, com objectos;
- Proporcionar o atendimento individualizado da criança num clima de segurança afectiva e física que contribua para o seu desenvolvimento global;
- Colaborar estreitamente com a família numa partilha de cuidados e responsabilidades em todo o processo evolutivo de cada criança;
- Colaborar no despiste precoce de qualquer inadaptação ou deficiência, encaminhando adequadamente as situações detectadas.